Segunda-feira, Dezembro 21, 2009
Tráfico de influências
Sonhos pequenos
A voz humana
Segunda-feira, Dezembro 07, 2009
Ora aqui está um lugar, ao contrário das pistas de carrinhos, que estimula a minha verve blogueira. Tínhamos bilhetes à borla para o maior espectáculo do mundo, no Coliseu. Há borla, é como quem diz. Não há nada de gratuito no circo. Tal como alguns programas de televisão são um pretexto para passarem anúncios, também o circo é cada vez mais um pretexto para os vendedores de queijadas, de pipocas, de algodão doce, de varinhas de luz e até, de fotografias com animais, como a daquele tigre bébé que andava a sofrer ao colo de um dos empregados do circo, que, rodeado de fotógrafos, dava a volta a todo o recinto. A dez euros por picture podia um exemplar humano posar ao lado do bichano, substituindo a ideia de selva por aquela moldura aparentemente mais humana. Lá veio o circo e antes de mais os palhaços. Um par inusitado: uma matrona e um pequenetote, deixaram cair pela arena a maior quantidade de lugares comuns e de grosserias que se possam pensar sobre a relação entre um homem e uma mulher. Louve-se o público, parco no riso, não se deixando entusiasmar pelo ambiente sonoro. Ainda haveria de vir um palhaço a sério, quer dizer, trajado enquanto tal mas a fazer apenas de animador dos intervalos de montagem para os números mais arriscados, os trapezistas, os equilibristas e os acrobatas. Ainda antes do circo acabar viria um número cómico com cães amestrados, que se deveriam chamar cães-palhaços, porque foram os únicos a fazerem-nos soltar um riso 3.5 na escala dos Gatos (que é já de si utilizada para conseguir captar variações de humor de baixa intensidade). Saí de lá no entanto com vontade de mais circo, de andar com eles, de ouvir as suas histórias. Hoje já sei o que seria se voltasse a ter vinte e um anos: palhaço, palhaço pobre, palhaço-mimo.
Ando há muito tempo para escrever sobre isto, o excesso de espírito competitivo nas crianças. Começaria mais ou menos por aqui: Só querem ganhar, ganhar, ganhar. No meu tempo não era assim. Não precisávamos de ganhar para sermos gente, para sermos pessoas. Brincávamos com flores, com plasticina e poesia. Ando há muito tempo para escrever sobre isto. Hoje, tinha finalmente arranjado um bocadinho para dois dedos de prosa, quando ele me pediu para ir montar a pista de carrinhos e jogar um pouco com ele. Não sei como eu, um escritor de posts, acedi. Já devia saber o quanto são desastrosas estas incursões no real. Antes não o tivesse feito. Quando acabámos de montar aquela mini-pista de carros, comprada a 9 €, depois de darmos uma volta à pista, aquecendo os motores - a ideia foi minha, assumo - começámos a corrida. Dez voltas. Ainda não tinhamos dado cinco voltas e já, pelos meus gritos, pelo meu nervoso miudinho, pelos nomes que lhe tinha chamado, percebi que ainda não é desta que vou escrever o post sobre o meu tempo e a incrível tendência para a competição das crianças de hoje. Não que não tivesse tempo. Ainda antes de acabar as dez voltas fui despedido do quarto com o epíteto, o pai é um batoteiro, e de volta à sala poderia finalmente escrever o tão almejado post. Se não me tivesse passado a sobranceria.
Sábado, Dezembro 05, 2009
Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
Amor e Violência
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
Tasca Expresso
Domingo, Novembro 29, 2009
Terça-feira, Novembro 17, 2009
Jantar em família
Ficar em casa
Agora sim o casamento entre pessoas do mesmo sexo
Domingo, Novembro 15, 2009
Escuta-me...
Terça-feira, Novembro 03, 2009
Novo filme de Teresa Villaverde
A menina do cão do fiat e o seu amante
O Solista
Dois anos
Domingo, Outubro 25, 2009
Obrigado Mega Ferreira
PH de uma vida improvável
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
Cantam as nossas almas
Quarta-feira, Outubro 21, 2009
A regra do jogo
Terça-feira, Outubro 20, 2009
Bernardo Santareno merecia mais
Os dias assim
Terça-feira, Outubro 13, 2009
Farm Ville
o primeiro-ministro,
os deputados e as deputadas nacionais,
os deputados e as deputadas europeias,
o presidente da comissão europeia,
os e as presidentes de câmara,
os e as presidentes das assembleias municipais,
das juntas de freguesia,
das comarcas,
do clube de futebol do bairro, da cidade,
do país,
agora que até já elejemos Barack Obama
no qual não votámos por uma mera circunstância formal,
podemos voltar ordeiramente à realidade
dos dias
e das noites
e fingir que a vida que construímos
é realmente vida,
vida a sério,
vida com V grande,
de vitória,
acabou-se a história.
a
a Acabou-se a história,
pensamos enquanto nos afundamos,
no estertor do sofá
pago a 24 meses na Moviflor,
quando não está ninguém do outro lado do plasma,
a 36 meses na wortem sempre,
até o raio do jantar que se azedou
no estômago,
trazido em sacos de plástico
com o cartão do Continente,
acabou-se a história,
hoje o Grissom despede-se,
diz adeus,
vai-se embora,
o adn da nossa desvida,
a azia passa-nos do estômago para
o coração,
nós não queríamos,
a leveza não está à venda,
nem a beleza,
tigresa,
acabou-se a memória,
esqueci-me, dizemos,
esqueceste-te de quê?,
perguntam aqueles pares que inventamos para
não percebermos que estamos
fora
fora do mundo
fora do sítio
fora da vida
os putos cresceram, dizemos
as fotografias espalhadas na sala
são pequenos troféus felizes
os nossos dias
passados assim, agora
que já elejemos os nossos primeiros e segundos e terceiros
representantes
na rua, no bairro, na cidade,
no país, no continente, no mundo
esquece-te outra vez de viver,
de saborear a maçã,
a grande maçã livre,
o pecado original
e põe-te novamente
como fazes sempre,
na fila
para a distribuição de benesses
e de milagres
do santo antoninho.
Terça-feira, Setembro 29, 2009
O MEP em Lisboa
Já expressei aqui o meu sentido de voto em relação às próximas eleições autárquicas. Reforcei essa minha convicção quando fui à apresentação do programa cultural a que se dedicará Catarina Vaz Pinto, proposta de António Costa, para a vereação cultural da cidade. Tenho vinte e sete anos de ligação à cultura e nunca vi, a este nível do poder político, um discurso tão clarividente sobre a actividade cultural. Há pouco no entanto tomei conhecimento com a candidatura do MEP, bem como o programa político que a suporta. O cabeça de lista à Câmara é José Costa Ramos cuja delicadeza humana - e como eu, tantas vezes bruto de sentimentos, um paquiderme numa loja de porcelanas, aprecio a delicadeza alheia! - já tive o privilégio de desfrutar. A generosidade com que ela foi construída , a riqueza das suas ideias, " que bonita é a cidade com que José Costa Ramos sonha!", faz-me sentir que é um dever espalhar a palavra, neste caso o link. Até porque ela corresponde a algo que é cada vez mais profundo, a necessidade de que a política se transforme, deixe de ficar tão refém de interesses partidários de natureza corporativa, e seja a vontade de sonhar com a cidade, com uma determinada cidade. Apetece-me dizer, obrigado José Carlos.
Domingo, Setembro 27, 2009
Última nota
A maioria relativa, lida pelo lado da alegria
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